Friday, April 28, 2006

Muito além do cidadão Marcos

Só depois de muitos anos é que fui refletir sobre uma pergunta simples, mas de profundidade considerável. Indo para o meu trabalho, com a carga de responsabilidade estampada nas olheiras, o novo porteiro não havia me reconhecido.
- Quem é você?
- Sou Marcos.
É claro que, numa situação dessas, ele esperava uma resposta objetiva como a que eu dei. Mas existe o outro lado da pergunta que induz ao questionamento.
Andando pelos corredores, comecei a vivenciar uma retrospectiva da minha vida. Meu nome é apenas uma representação. Minha essência, o que realmente sou, é construída e reconstruída dia a dia.
O homem é um ser em constante mudança. O que se é hoje não será o mesmo amanhã. Se acabo de ler um texto, o meu olhar sobre a vida se modifica.
Se tivessem tempo para me escutar, eu teria muito o que falar para responder a essa pergunta.
Sentado à mesa, realidade presente. Meu instrumento de trabalho, de certa forma, supre o meu desejo de falar, explicar, detalhar o mundo em que estou inserido. Ser responsável por escrever crônicas na coluna de um jornal não é fácil, mas engrandece. Os anos de profissão já me depositaram confiança em muitas coisas que faço, mas, ao escrever, espero que as pessoas não se confortem apenas com uma resposta simples como a que dei para o porteiro. Aguçar a percepção crítica dos meus leitores é minha maior preocupação.
Acho que foi por isso que escolhi jornalismo.

Fevereiro/2006

Tuesday, March 14, 2006

O que é ser feliz?

Somos seres de angústia. Vivemos em uma eterna busca pela felicidade, objetivo esse atenuado em um contexto capitalista em que estamos inseridos.

Lembrar o célebre verso “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” sugere uma interpretação verticalizada. É claro que a importância de se ter uma boa saúde, um emprego digno e uma moradia é indiscutível. Mas o que hoje a mídia nos propõe para sermos felizes é endossado pelo consumismo exagerado. Idealizamos carros que fogem à esmagadora condição social, almejamos estruturas familiares construídas nas novelas; enfim, sonhamos com estilos de vida.

As propagandas, por exemplo, induzem as pessoas à compra da felicidade. Se presenciarmos uma modelo propondo o uso de algum cosmético, logo aliamos a beleza ao produto. Mas, na verdade, o que está à venda é a esperança de poder fazer parte da padronização estética.
Podemos definir que esta é uma felicidade estrategicamente construída, cujos artifícios sustentam a alma?

É necessário perceber até que ponto deixamos que nossas vidas sejam conduzidas. Tomar as rédeas da vida significa tentar buscar equilíbrio. Somos seres de desejos sim, mas de desejos reais. Se ousarmos sair desse casulo pré-moldado, conseguiremos perceber então como buscar a verdadeira felicidade.

Sheilla "Severo" Monteiro - Redação realizada no vestibular do Uni-BH – 1º/2006